Friday, September 08, 2006

Era uma vez... dessa vez todas ao mesmo tempo



Por Angelo Tomasini

Em primeiro lugar não sou crítico de cinema, nem tenho conhecimento para isso. Mas já que vou falar de um filme baseado em contos de fadas, aliás, cinema pode ser feito por adulto, muitas vezes para adulto assistir, mas não passa de um “grande” conto de fadas...E como estava dizendo, nos contos de fada a gente pode fazer tudo, virei criança outra vez e agora tenho o poder de comentar esse filme. Isso basta!
“Os Irmãos Grimm”, uma produção Norte americana, de 2005, dirigida por Terry Gilliam, e escrita por Erhen Kruger dá uma versão fictícia para a vida dos famosos Irmãos Grimm, mestres dos contos infantis alemães que viveram no século XIX.
Não poderia deixar de ser...um filme inspirado nos irmãos Grimm sem contos de fadas é praticamente impossível. A partir da narrativa bem construída o autor e o diretor do filme conseguiram materializar mais um conto de fadas, digno da assinatura de Jacob e Wilhelm Grimm.
Muito ao contrário do filme, os dois foram estudiosos e pesquisadores alemães que tentaram manter viva a tradição oral do seu país através das histórias contadas pelo povo. Além de imortalizar os contos eles faleceram deixando uma obra incompleta, um dicionário de alemão. Ainda na letra “f”, diga-se de passagem.
Trespassando o mundo real para o imaginário. Nas imagens do grande espelho mágico, mais conhecido por tela grande, quem for atento vai perceber referências dos contos João e Maria, Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, O Príncipe Sapo, Cinderela, A Bela Adormecida, João e o Pé de Feijão, Os Sete Corvos e alguns outros.
Uma produção bem cuidada, cenário e figurino impecáveis, colorido, ou melhor, a falta dele, típica da Europa Medieval. O vermelho das vestes reais e óbvio, do “Chapeuzinho vermelho” destoando os tons de azul escuro, cinza, verde musgo e preto, que estão presentes no filme inteiro e contrastam com o dia claro e colorido da salvação, das cenas finais.
Os irmãos Grimm, Jacob ( Heath Ledger) e Will (Matt Damon), oriundos de infinita pobreza vêem a morte da irmã mais próxima ao ter o único bem, uma vaca, ser trocado por um punhado de feijões “mágicos”. E feijões mágicos remetem a uma história o final você já sabe...
E esse é o clima de todo o filme. Apenas fazer lembrar os nossos contos de infância.
Na construção da narrativa os irmãos passam a viver de trapaças, inventando bruxas, e monstros aterrorizantes para ser derrotados por eles mesmo em troca de dinheiro e fama.
Ao ser descobertos por um francês, na tomada da Europa por Napoleão são obrigados a se confrontar com um verdadeiro mundo de bruxarias que aterroriza um povoado recém conquistado. Crianças estão desaparecendo na floresta e a população está em pânico. Para salvar-se da prisão eles partem em busca de desvendar o mistério. É nesse ambiente onde descobrem, que os contos escritos pelo irmão Jacob podem ser o pontapé inicial para desvendar os mistérios da torre, descobertas reais que necessitam da fantasia.
Em meio a esse clima de terror e mistério, Angelika (Lena Headey), surge como a caçadora durona que se transforma na princesa que encanta aos irmãos.
O final não poderia ser diferente. E todos viveram fe... (Não preciso falar, ou melhor, escrever o resto, né?!)
P.S.: Se ninguém leu contos de fadas para você dormir na infância, também não deixe de assistir. Caso não entenda algum detalhe pede pra sua vovozinha te contar a história.

Tuesday, August 22, 2006

I have a dream





by Izabel Silveira

"I have a dream" era assim que iniciava um dos discursos mais ouvidos e aclamados pela humanidade. Quem o dizia era o líder pacifista Martin Luther King, e dessa premissa de "ter um sonho" ele narrava o que gostaria de mudar no mundo, nos homens, nos Estados Unidos, enfim, discorria sobre como seria sua visão de/para um mundo melhor, onde não houvessem desigualdades sociais, desigualdades raciais, econômicas etc, etc, etc...
Um sonho onde brancos e negros seriam iguais, sem distinção de credo, classe social, sem barreiras a serem transpostas. Isso se deu não faz tanto tem assim, foi nos anos 60. O pacifista foi assassinado no final dos anos sessenta.
"I have a dream" é também a primeira frase dita por uma canção do grupo sueco Abba, que fez sucesso nos anos 70 e embalou toda uma geração com sua melodia melosa, onde o amor era a principal fonte, de onde era tirado todo aquele mel que se ouvia nas rádios. Rádios, diga-se de passagem, AM, sim porque esse tipo de música só fazia sucesso mesmo nas AM's, até porque naquele tempo acho que nem existia FM ainda. O Abba foi extinto no início dos anos 1980.
Pois bem, o hit daquela época foi ressuscitado agora em pleno século XXI pelas bandas de forró - em suas apoteóticas versões - e transformada novamente em outro hit na voz das vocalistas da banda "Noda de Caju".
Então é mais ou menos isso. As pessoas por mais diferentes que sejam uma das outras, elas tem em comum o sonho, seja ele de mudar o mundo - utópico - seja um sonho de amor, seja qual ele for, é um sonho. Eu também tenho um.
Meu sonho é ser jornalista, escrever para as pessoas, sobre as pessoas, fazer alguma coisa para mexer, sacudir a vida delas. Contar o pouco e o muito que aprendi nos meus quase 4.0 de existência, dividir as coisas que me fizeram crescer e somaram na minha formação. Aceitar as críticas sempre com cara feia, porque por mais que o sujeito seja educado e frio, ninguém suporta ser criticado. E não me venham com essa de que "as críticas engrandecem", porque comigo não é assim que funciona.
Mas mesmo com todo esse meu jeito de ser, aprendi a lidar com as críticas, da minha maneira, difícil, mas aprendi.
Dá um nervoso, uma raiva, quando a gente percebe que não entenderam aquilo que tentamos dizer. Mas é justamente isso que eu descobri de mais apaixonante no jornalismo. Causar nas pessoas a vontade de discutir, de falar o que pensa. E não simplesmente engolir todos os textos que encontramos nos jornais, nas revistas, na internet, como se esses textos fossem bulas, fórmulas, ou até mesmo modelos para vivermos nossas vidas.
Através do jornalismo conheci pessoas absolutamente maravilhosas, completamente diferentes de todos aqueles que convivi em toda a minha vida. Gente jovem, gente madura, alguns maduros já quase caindo do pé, mas mesmo assim em pé, escorado e ainda com tanto a contribuir para a humanidade.
Pessoas que me chamaram de lacônicas, enquanto outras diziam para ser mais sucinta. Uns meninos e meninas com uns brilhos nos olhos, um ideal na cabeça, um jeito impetuoso de inchar o peito e dizer: Eu quero, eu posso. E ai de quem disser o contrário. Foram essas pessoinhas com quem tive oportunidade de conviver por três anos que me tornaram uma pessoa melhor. E olha que os defeitos não são poucos não.
Mas são para essas pessoas que eu queria dizer que o meu sonho só vai ser adiado. Ano que vem a gente se vê. Guardem um pouquinho para mim, porque não vai ser fácil ficar longe de vocês. Um grande e gordo abraço.

Monday, July 31, 2006

Relato Agonizante

Incompreendido pela ignorância dos homens
Isolou-se de tudo e de todos
Ficou submetido ao chão de um quarto abafado
Perdeu a noção de tempo
Passou horas tentando entender
De fato, o dia parecia não ceder...
O pensamento passava a se desviar
Entre absurdas infâmias
Uma euforia que arrepiava a alma e todos os outros sentidos
Já não conseguia ter a sensibilidade da simplicidade
Das coisas em sua volta...
Apenas uma interminável escuridão
Com o pânico da dúvida que representava então
Aprovação?
Não havia nada que o repreendesse
A ira se encubava gradativamente
Somente ela determinaria uma grande manifestação
Devaneios, ilusão...
Deturpavam quaisquer expectativas de sua vida
Encheu-se de otimismo na ânsia de se libertar
Tentou pela última vez realizar
O ímpeto de sua lucidez a alcançar
Deparou-se com o fracasso, com descaso
Com repugnância ao acaso.

Ana Luzia Brito - 29.05.2005

Íntima Persuasão

Ainda ouço ruídos
Ainda costumo ir naquele lugar
Ainda tenho a mesma visão que um dia te falei
Ainda sinto frio de noite quando vou dormir
Ainda bebo o vinho da saudade
Ainda ignoro
Ainda peço pela Felicidade
Ainda leio sobre a efemeridade das coisas
Ainda tento compreender
Ainda vejo o que ninguém vê
Ainda que eu falasse a língua dos homens
Ainda que eu falasse a língua dos anjos
Ainda que não errasse mais
Ainda que eu não me desculpasse
Ainda que eu me revoltasse
Ainda que eu revolucionasse
Ainda estou a aprender
Ainda que eu omitisse
Ainda já não sei
Ainda me distancio...
Ainda que estivesse aqui
Ainda tudo ainda
Ainda espero por que quero
Ainda dizer que estou aqui
Ainda estou de partida
Ainda uma despedida
Ainda um tchau superficial
Ainda
Ainda um Horizonte...
Ainda um lugar qualquer
Ainda aquela mesma energia
De noite, de dia
Ainda a sintonia de uma mesma mulher

Ana Luzia Brito - Outubro de 2005

Wednesday, July 12, 2006

UM FUTURO DUVIDOSO. Cultura de Fortaleza em Xeque: Uma analogia sobre o processo de reconhecimento cultural da população.

Fortaleza hoje comemora seus 280 anos. Tempo suficiente para recordar a memória do seu povo, suas tradições, origens, costumes, valores, enfim, a relação da população cearense com o conceito de cultura.
O que realmente consiste ou identifica nossa cultura? Será mesmo que Fortaleza se reconhece culturalmente?

É fácil identificar a essência cultural e suas manifestações em muitas regiões Brasil a fora. São Paulo, por exemplo, se contempla por sua moderna arquitetura com os melhores museus, teatros, restaurantes, shoppings, casas noturnas, entre outros. Sem contar os grandes eventos realizados nesses espaços. O Rio de Janeiro com o Maracanã, considerado o maior estádio do mundo, o carnaval na Sapucaí, evento que mobiliza milhões de pessoas com o contagioso ritmo “Samba-Enredo”.

Já a Região Sul, terra dos gaúchos, além do culto ao Chimarrão, é mantida a tradição entre gerações do cultivo de uvas para fabricação de vinhos. Isso, sem falar das festas folclóricas e das “churrascadas” com a preparação das melhores carnes.

O Boi-Bumbá foi um fenômeno folclórico surgido no Nordeste. Após um processo histórico, migrou para a Região Norte se destacando no Estado do Amazonas com a badalada Festa do Boi na Cidade de Parintins.

Ainda esmiuçando a Região Nordeste, podemos citar o Frevo em Olinda no carnaval conhecido por suas famosas Marchinhas. O Candomblé da Bahia saúda a história dos negros africanos, assim como as danças, comidas, as festas que homenageiam Iemanjá, o Pelourinho, as Baianas... Continuando com a retórica nordestina, nos deparamos com o Reagge Maranhense, que também movimenta milhões de pessoas em seus festivais. Mas, e Fortaleza? Como narrá-la por suas manifestações culturais? Por que não pleiteamos festivais como as outras cidades?

A problemática se abrange a partir do contexto da não percepção da sociedade fortalezense sobre fatores que influenciam no processo do desenvolvimento cultural da cidade.

Onde foi parar o Maracatu, as Oficinas de Artes? Por que nossos Museus não se destacam como os de fora? Por que Fortaleza não disponibiliza mais teatros com estruturas semelhantes ao Teatro José de Alencar e preços mais acessíveis? Por que os órgãos responsáveis de cultura não investem mais no apoio e na divulgação de espetáculos?
O Teatro Universitário é outro exemplo de resistência ao tempo e ao esquecimento.

A festa junina é outro fenômeno que poderia retratar bem a cidade, mas que ultimamente passa despercebida. É um evento folclórico, com danças e comidas típicas, porém, pouco manifestada na região. Antes, muitos bairros se “enfeitavam” e reuniam seus moradores para comemorar o dia de São João. Hoje, poucos fazem isso. Os mais precisos são os da periferia.

E o carnaval da cidade, por que não vinga definitivamente? Ressalto o carnaval que ocorre na Avenida Domingos Olímpio, que ainda sofre o preconceito daqueles que optam por outras localidades. Principais motivos: alegam deficiência de infra-estrutura e problemas com a segurança no local, ou seja, mais uma vez por falta de investimentos.

O Fortal é uma manifestação de iniciativa privada que ocorre no mês de julho. Um evento que mobiliza grande parte da população da cidade, inclusive de algumas regiões no Brasil e no mundo. Um “carnaval” fora de época que retrata mais um produto do turismo da Fortaleza. Mesmo assim, está muito distante do critério de cultura, digo, dentro de nosso contexto histórico-cultural, de nossas raízes. Sua idealização é totalmente influenciada pelo carnaval da Bahia, com trios elétricos e grupos de bandas baianas vindos de lá.

Seria apocalíptico afirmar que o Fortal é um fenômeno cultural da história da população fortalezense.

Em suma, a visão de cultura das pessoas que nascem em Fortaleza, como das que não, se limita no quesito de perspectiva cultural. A prática da pesca, o culto ao jangadeiro, ou, ao cangaceiro, bem como as praias, são exemplos disso. Ao mesmo tempo costumam ser estereotipados pela mídia. É como se a população fosse restrita somente a esses valores, uma vez que seja constatada a abrangência de muitos outros. Uma ideologia que impõe rótulo. Acabamos rotulados pela ignorância da incompreensão, pela alienação de idéias utópicas. Muitas vezes, os noticiários enfatizam isso de forma sutil, sem nem percebermos. Acabam destacando apenas à predominância do clima da região, resumindo, voltam a “estaca-zero” dos assuntos relacionados anteriormente.

Há também quem defenda o Forró como uma dança que representa a cultura de Fortaleza. Baseado em que devemos manter tamanha responsabilidade, se tanto as músicas, como as danças, figurinos das bandas de nossa terra, se inspiram na cultura americana, até mesmo em outras culturas!

Já faz tempo que a essência do forró levantou poeira, perdendo as asas de sua criatividade e originalidade. Antigamente freqüentávamos o forró, aquele que se ía vestido à vontade, ou até mesmo a caráter, com chapéus, botas, camisas quadriculadas. Até as mulheres abraçavam a causa sem se importar com a opinião contrária. O forró que esbanjávamos autenticidade dos compositores da época. Hoje vamos à passarela da moda ao som do forró internacional, sem falar no espetáculo das coreografias que roubam a cena, que mais parecem apresentações de “balé-clássico” misturado com “lambada”.

Contudo, nos resta a pergunta que não quer calar: Ser tradicional é também poder se espelhar em outros?

Nesta análise, o conceito da cultura cearense demonstra um futuro duvidoso sob uma possível identidade cultural. Dos hábitos da população, dos patrimônios históricos, do folclore, do carnaval de rua, não o que é realizado nas regiões litorâneas, por fim, de suas manifestações culturais.

O pensamento provinciano justifica talvez uma ideologia primitiva, perpetuada por preceitos preconceituosos.

Ana Luzia Brito
Jornalismo - Noite

OLHA SÓ A ESTRÉIA DA ANINHA!!! Seja bem vinda ao clube.










O Amanhecer de Dona Ana

Dona Ana
Assim é chamada a dona da mais perfeita floricultura da cidade
Porque é lá que se compra flor aprendendo um pouco de cada uma delas
A literatura das flores
Não bastando a comodidade, sua “flora-biblioteca” também oferece a apreciação de bons vinhos
Ah... Dona Ana
Senhora das flores, das rosas, orquídeas, cravos, lírios...
A possuidora de uma adega de vinhos
Porque Dona Ana os cultua
Conhece o rito da bebida cor sangue com aroma de rosas
Porque foi ao Chile estudar na Escola de Vinhos
Passou uns tempos na Europa
Morou anos na Grécia, anos em Milão
E fala de Veneza como se ainda fosse a mesma
Como se soasse Chopin
Dona Ana canta, encanta...
Aprendeu a tocar piano
E agora faz parte de um grupo de cantos líricos
Ao mesmo tempo exala delicadeza brasileira do tipo Elis
E se depara muitas vezes pela braveza Janis
Coincidência ou não, são suas preferidas
Coleciona vinis de Nina Simone e Nat King Cole
Assim é Dona Ana
Avassaladora, contemporânea
Mulher que revoluciona conceitos
Porque escreve artigos de opinião
Quase todos de oposição
Tem aura simplista
Dona Ana anseia a natureza de espírito
A lógica do bom senso
As faculdades mentais
A lucidez da humanidade
Bem como a exorbitância das paixões

Thursday, May 25, 2006

NA LINHA DO HORIZONTE, PROCURANDO UM NORTE (para o mundo)


Por Angelo Tomasini

Não sei se sou a pessoa mais indicada para falar desse espetáculo, afinal não sou crítico. Mas se um dia eu quiser ser um, vou ter que escrever. Será que eu sou qualificado para julgar alguém? Por isso que ao invés de ser crítico, prefiro ser admirador, que eu posso na minha santa ignorância. Adorar um erro crucial de coreografia, ou endeusar um espetáculo sem expressão aos olhos dos outros.
Pensar identidade. Essa é a proposta. Não só do primeiro parágrafo, mas do espetáculo inteiro. “Na linha Horizonte...Além do corpo” é o título. Academia de Artes Vania Dutra é a instituição. Valéria Pinheiro é a diretora. A CIDADE É Horizonte, 40km da capital. São 15 bailarinos em cena divididos em 11 atos. Crianças e adolescentes de 8 aos 20 anos de idade.
Resultado de uma pesquisa de mais de um ano, e montagem de três meses, o espetáculo é uma continuação do antigo espetáculo “De Olho D’água a Horizonte”. “No primeiro ano eles discutiram, aprenderam e mostraram o passado de sua cidade. Mas quando chegamos ao final surgiu a necessidade de pensar Horizonte hoje. A cidade industrializada, com tecnologia de ponta, mas que vai religiosamente a missa as 5 da tarde e tem o hábito de ficar na calçada conversando, o que é típico de interior”, explica Valéria Pinheiro.
Através desse paradoxo iniciou-se uma busca do grupo pela identidade. O Resultado é uma montagem caprichada. Um cenário que exibe formas geométricas coloridas em um fundo confeccionado de sobras de fábricas de sapato. Figurino praticamente branco e preto com apliques de formas geométricas coloridas. Detalhe, todos diferentes. Cada um com o seu modelo.
O primeiro dos 11 atos é uma espécie de chamada. Todos os bailarinos em cena dizem o nome e saem para as coreografias. Contemporâneas em um primeiro momento. Às vezes uma vitrine viva, às vezes movimentos infantis. Sempre a repetição, dando uma idéia de que mesmo crianças já sofrem com a ação repetitiva das máquinas. Um projetor de slides exibe imagens de fetos, crianças, pessoas...enfim algo relacionado com a vida, com a cultura. Um grande círculo no fundo do cenário.
Movimentos bem definidos, ensaiados. Uma coreografia que exibe as vezes motivos infantis, outras adolescentes. Desde a bailarina na caixinha de músicas até a marginalidade, com os pixadores, os drogados, enfim, a parte não tão da vida.
Como falar de identidade sem falar dos próprios bailarinos? Daí a pouco vão entrando, de um por um e cada um contando sua história. Em pouco tempo são vozes que partem para a platéia com uma caixa de fotos. Recordações que são mostradas aos expectadores.
Em cerca de dez minutos o grande passo é o de mostrar a identidade através de fotos e fatos que fazem ou fizeram parte da vida de cada um.
Sapateado (considerada uma modalidade clássica de dança) misturado com nuances bem atuais, e até com passos de funk. Os sons simétricos e coreografados dos sapatos dão o tom ao samba e ao rap. Rap também interpretado por uma das bailarinas.Um resumo do espetáculo.
Dinâmico, o espetáculo traz a agilidade da dança contemporânea aliada ao sapateado, ao rap, ao tecno, ao funk e ao samba. Máquinas, sonhos , brinquedos...Enfim, todo tipo de elemento que possa construir ou ajudar não só a encontrar a identidade dos bailarinos de Horizonte, mas também a da platéia que se vê palco, se identifica.

Monday, May 22, 2006

A CULTURA POPULAR E OS ESPAÇOS CULTURAIS DE FORTALEZA



por Angelo Tomasini

A partir de um recorte sobre os espaços culturais, mais especificamente os museus da cidade, pretendemos estudar a relação desses com a cultura popular.
Pensando em debater um pouco sobre o ano nacional dos museus e o aniversário de Fortaleza, nos propomos a fazer uma relação entre esses locias que guardam a cultura de um povo e a cultura que vem das ruas, dos chamados "mestres do mundo".
Fortaleza, uma cidade de fundamental importância para o Estado, sendo a capital, tem todo um aparato cultural. Não o esperado, mas considerável. São vários museus e das mais diversas temáticas, que vão desde o das secas, localizado no centro, até o do vaqueiro no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Ao mesmo tempo que abriga essa série de locais para admirar parte da história de um povo, não guarda nesses locais a história da cultura popular local.
Muito do que é popular se constrói na rua e assume caráter oral. Tradições passadas de geração em geração. Nem sempre preservadas com rigor. As festas realizadas nas ruas de Fortaleza, que citamos como exemplo o Carnaval, com suas Escolas de Samba, Blocos, Maracatus. Também as Quadrilhas Juninas, que só na capital são cerca de 150 grupos e que realizam seus espetáculos, seus festivais nas ruas (se bem que com o aumento da insegurança esses espetáculos têm cada vez mais ido para locais fechados).
Será que não é importante imortalizar esse aspecto do cotidiano das festas e folguedos da cidade? levando em conta que aos poucos essas tradições vão assumindo novos paradigmas e se transformando, ficando perdidas em vagas lembranças dos mais velhos.
Olhando os nossos museus encontramos apenas o do Marcatu, que foi reaberto a menos de 6 meses e um dos únicos que mostram a cultura popular de Fortaleza. Ainda amador e mal conservado. Fruto de um anseio de uma senhora (Lirisse Porto) que lutou sozinha e formou o "seu" museu. Com trajes do rico Maracatu cearense, junta umas poucas peças que se encontram expostas nos fundos do Teartro São José na Pria de Iracema.
Em contraste, citamos como exemplo no início do texto, o Museu do Vaqueiro não condiz muito com a realidade do fortalezense. Não se vêem representados naquela atmosfera maravilhosa criada e desenvolvida pelo Governo do Estado para embelezar o seu centro cultural.
Podemos até entender que devido ao status de capital, tenhamos que conviver com museus e coisas que não são específicas do nosso cotidiano,da nosssa história como local com vida e caracterísiticas próprias. Mas por que não dispor das duas coisas? As pessoas necessitam ir a esses locais e poder se ver inseridas nesse contexto. É muito mais interessante, até para construir a própria identidade.
Então, a apartir disso podemos constatar que duas formas de cultura, ligadas à arte e a história estão tão afastadas. Os museus deveriam andar de mãos dadas com os artitas todos, sejam eles populares ou dos mais diversificados tipos. Por que isso não acontece? Por que não há esse encontro? há realmente incentivo? Há interesse?
Essas são idagações que são feitas e observadas a fim de construir uma opinião sobre isso tudo, que é muito importante para a construção ou mesmo percepção de uma "cara" para um povo.

Friday, May 19, 2006

Diário do Pé na estrada em Pernambuco


Por Izabel Silveira

Com o pé na estrada a subir e descer as ladeiras de Olinda. Com o pé na dança ao som dos atabaques no quintal da Senzala. Com o pé na descida do morro os dançarinos de afoxé, na batida do timbal.
A mistura de sons e de culturas era o tempero que faltava para engrossar o caldo e dar o sabor que a viagem iniciada na sexta-feira, dia 12 de maio previa do que estava por vir.
No roteiro pra lá de diversificado estava previsto como primeira parada a feira de Caruaru - conhecida como a maior feira livre a céu aberto e também pela maior festa junina do Brasil - o que se deu em clima de cansaço, com um quê de admiração pelas imagens de barro, madeira, nos trabalhos de couro, enfim um manancial de exposição ao ar livre de produtos do mais puro artesanato nordestino.
Tanto é verdade, que para surpresa de alguns as peças expostas não eram de todo novidade. Mas com certeza alguns abridores de garrafa, e uns pequenos chaveiros chamaram a atenção dos menos desavisados. Curiosidades à parte para as esculturas de barro em miniatura, a valorizar o trabalho de Mestre Vitalino, artista filho de Caruaru, falecido há 43 anos, cuja obra se destaca tanto nas esculturas, quanto na música regional.
Visita e compras feitas os mochileiros sobem o Alto do Moura para conhecer a casa de Mestre Vitalino, realizar filmagens e invadir os pequenos ateliês a fazer perguntas e pechinchar os preços. O sábado vai fugindo entre os dedos em nossa segunda parada. O tempo é pouco e tanta coisa ainda para ver.
O cansaço realça os sinais e o cronograma da viagem tem seguimento na entrada no Hotel Recife Plaza, localizado no centro de Recife, à margem do rio Capibaribe. Eis que quem nos dá as boas vindas são as pontes a ligar um lado da cidade ao outro, a visão das favelas que parecem construídas por arquitetos, tamanha é a organização das ruas na visão de quem está olhando de baixo para o alto dos morros. Outro anfitrião a se fazer presente é o odor característico dos esgotos, que é constante companheiro pelas ruas de Recife.
O guia turístico tem sotaque pra lá de carregado e se desdobra em comentários e dados histórico-geográfico de Recife, onde o que prevaleceu em sua fala foi o Recife e Olinda no antes e depois da invasão dos holandeses. Para cada informação relevante lá estavam os holandeses a integrar a história. Desde os conflitos, as conquistas, passando inclusive pela colonização e pavimentação das cidades pernambucanas.
Nas visitas ao Forte das Cinco Pontas, ao Marco Zero, a praia de Boa Viagem, e nos demais pontos de contemplação de início de noite, lá estava novamente os holandeses a participar da trajetória histórica e a nos perseguir. Ainda bem que não invadiram o ônibus...
Final de noite e pela manhã o que nos aguarda é o desfecho de visitar Olinda.
A peregrinação que dava mostras de cansaço, tem seu ânimo redobrado ao passarmos pela casa de Alceu Valença, visitarmos o Mosteiro de São Bento, e apreciarmos a vista panorâmica. Que vista!
Parada para o almoço, mais compras e por fim Olinda se despede de seus visitantes ao som dos tambores numa passeata em louvor ao candomblé. Ué, estamos em Olinda ou em Salvador? É tudo a mesma coisa, é tudo Nordeste, é tudo Brasil. Mas atenção, como diriam nossos guias, "... antes da invasão dos holandeses, Olinda era diferente...", ainda bem que os holandeses invadiram Recife e Olinda, porque caso contrário toda aquela beleza de terra seria invadida mesmo era por nós cearenses.

Ao invés de bombar, babou!


Por Izabel Silveira

Agora pare e pegue a seguinte informação, o Siriguella está aniversariando. E para comemorar seus 13 anos de vida, o Chiclete com Banana fará a festa no Beach Park, dia 1º de Abril. Quem abrirá o show será o Mister Babão, seguido da banda de rock, Titãs.
A realidade da festa foi outra. Por problemas de saúde do vocalista do Chiclete, Bel Marques a apresentação foi adiada para o dia 6 de maio último, e a banda de rock foi substituída pela de reggae Cidade Negra. Duas situações bem distintas do que originalmente se propôs para comemorar o aniversário.
O show deveria ter sido realizado dia 1º de Abril, mais conhecido como o dia da mentira. E não é que o show foi a maior mentira.
Os equívocos tem início quando os "chicleteiros" adquiriram seus ingressos para um show que se realizaria num período X, com as bandas Y, e o resultado da apresentação foi uma realidade completamente diferente.
O segundo contratempo, aquele que poderíamos classificar como uma "falha do sistema", foi o atraso na abertura dos portões. O estipulado informado na aquisição dos ingressos seria para às 18 horas, e o que aconteceu de fato foi que os portões foram abertos somente às 19 hora 30 minutos. Mais uma vez apelar para a paciência do público.
Para encerrar com o terceiro e talvez o mais delicado dos imprevistos. O público está na praia e a semana inteira decorrida foi de chuva, e eis que os equipamentos não foram testados pelos seus respectivos músicos, é o que supõe-se, porque não justifica uma hora e meia de atraso, e o rapaz do som ainda está a dizer: Alô som, testando...
Mister Babão sobe ao palco e entra desentoado dando continuidade ao martírio das 8 horas da noite até às 10 e meia, onde apresenta hits de composição própria e de outros músicos baianos. Demorando em não sair do palco, Babão insiste em cantar a saideira, que se transformou em várias saideiras. Sem falar nas inúmeras passagens onde ameaça descer para "tomar uma" junto do público.
Eis que às 11 horas da noite, o Cidade Negra adentra o palco. Toni Garrido em sua coreografia característica de louvor ao reggae se esgoela num microfone que não reproduz som de nada. O público ainda ajuda cantando a canção que Garrido não consegue fazer-se ouvir. Nesse lúdico e apocalíptico momento alguns passam e comentam. "É por causa da chuva". Por causa da chuva, o escambal. Onde está o produtor desse evento? A empresa responsável pela instalação desses equipamentos que não teve o mínimo cuidado em se resguardar para evitar esse tipo de imprevisto?.
Banho de chuva. Sofrimento ouvindo o Babão, aos poucos o público se afasta, solidário, para não assistir a vergonha que o Cidade Negra estava passando a pular com um microfone que insistia em não se fazer ouvir.
Após uma pausa de quase uma hora, finalmente o Chiclete com Banana sobe ao palco. É o momento esperado. Afinal de contas é por causa dele que as pessoas esperaram um mês, cinco dias e seis horas de atraso. Bel Marques abre cantando a música Eu quero esse amor do último cd da banda, e o público ensandece. E fica o mistério, a histeria foi porque são todos loucos por Chiclete com Banana? Ou por que haveriam realmente perdido por completo a sanidade, após tanta espera e seqüência de erros? Não dá para manter a serenidade, nem tampouco dar uma de normal a essa altura do campeonato.
A músicas preferidas foram cantadas. O público foi chamado de chicleteiro, e pela primeira vez na noite alguém se desculpou por todos os atrasos, e deu o "show" que amenizou o massacre da espera.
"Não dá, não dá, não dá pra viver sem você. Sou 100% você", "Chiiicleteeeeeeeeeeeee, ôba, ôba...", foram esses e outros refrões que nos trouxeram para a realidade, aquilo sim era um show. Músicas antigas do início da carreira, e músicas que embalaram os carnavais e os fortais, tinha para todo gosto e coreografia.
E na subida do morro, cansados, porém felizes com o Chiclete, uma certeza. Ano que vem o Siriguella fará 14 anos, é uma pena, mas enquanto o folião lembrar do aniversário dos 13, não sei...
Talvez arranje coragem, e como todo mundo sabe, o tempo é o melhor remédio para curar feridas. A festa dos 15 anos será em 2008. Afinal de contas toda debutante que se preze merece uma festa de apresentação e dependendo da organização deste último evento ou não, Seriguella e chicleteiro que se preze são outros 500.
Os números do Chiclete com Banana não negam o sucesso da banda que, ao olhar para trás é vista na trajetória que teve início em 1982. Sua entrada no Fortal se deu em 1992, e a comemoração merecia que fosse a altura de seu principal integrante.
Os organizadores do evento pecaram em não prever a chuva, em não ofertar ao público o show que foi prometido, em atrasar uma festa numa demasiada sucessão de erros e enfim por não tratar os fãs com o devido respeito que o bloco Siriguella encabeçado pelo Chiclete com Banana sempre demostrou.

FINALMENTE VAMOS INAUGURAR O BLOG

Olá.
Vamos estrear o nosso blog com dois textos muito bons de Izabel Silveira, estudante de jornalismo, no 6º semestre noturno.
Espero que gostem. Eu achei muito bom.

Um grande abraço.

Ah e deixem mensagens também!!!

Angelo Tomasini