Thursday, May 25, 2006

NA LINHA DO HORIZONTE, PROCURANDO UM NORTE (para o mundo)


Por Angelo Tomasini

Não sei se sou a pessoa mais indicada para falar desse espetáculo, afinal não sou crítico. Mas se um dia eu quiser ser um, vou ter que escrever. Será que eu sou qualificado para julgar alguém? Por isso que ao invés de ser crítico, prefiro ser admirador, que eu posso na minha santa ignorância. Adorar um erro crucial de coreografia, ou endeusar um espetáculo sem expressão aos olhos dos outros.
Pensar identidade. Essa é a proposta. Não só do primeiro parágrafo, mas do espetáculo inteiro. “Na linha Horizonte...Além do corpo” é o título. Academia de Artes Vania Dutra é a instituição. Valéria Pinheiro é a diretora. A CIDADE É Horizonte, 40km da capital. São 15 bailarinos em cena divididos em 11 atos. Crianças e adolescentes de 8 aos 20 anos de idade.
Resultado de uma pesquisa de mais de um ano, e montagem de três meses, o espetáculo é uma continuação do antigo espetáculo “De Olho D’água a Horizonte”. “No primeiro ano eles discutiram, aprenderam e mostraram o passado de sua cidade. Mas quando chegamos ao final surgiu a necessidade de pensar Horizonte hoje. A cidade industrializada, com tecnologia de ponta, mas que vai religiosamente a missa as 5 da tarde e tem o hábito de ficar na calçada conversando, o que é típico de interior”, explica Valéria Pinheiro.
Através desse paradoxo iniciou-se uma busca do grupo pela identidade. O Resultado é uma montagem caprichada. Um cenário que exibe formas geométricas coloridas em um fundo confeccionado de sobras de fábricas de sapato. Figurino praticamente branco e preto com apliques de formas geométricas coloridas. Detalhe, todos diferentes. Cada um com o seu modelo.
O primeiro dos 11 atos é uma espécie de chamada. Todos os bailarinos em cena dizem o nome e saem para as coreografias. Contemporâneas em um primeiro momento. Às vezes uma vitrine viva, às vezes movimentos infantis. Sempre a repetição, dando uma idéia de que mesmo crianças já sofrem com a ação repetitiva das máquinas. Um projetor de slides exibe imagens de fetos, crianças, pessoas...enfim algo relacionado com a vida, com a cultura. Um grande círculo no fundo do cenário.
Movimentos bem definidos, ensaiados. Uma coreografia que exibe as vezes motivos infantis, outras adolescentes. Desde a bailarina na caixinha de músicas até a marginalidade, com os pixadores, os drogados, enfim, a parte não tão da vida.
Como falar de identidade sem falar dos próprios bailarinos? Daí a pouco vão entrando, de um por um e cada um contando sua história. Em pouco tempo são vozes que partem para a platéia com uma caixa de fotos. Recordações que são mostradas aos expectadores.
Em cerca de dez minutos o grande passo é o de mostrar a identidade através de fotos e fatos que fazem ou fizeram parte da vida de cada um.
Sapateado (considerada uma modalidade clássica de dança) misturado com nuances bem atuais, e até com passos de funk. Os sons simétricos e coreografados dos sapatos dão o tom ao samba e ao rap. Rap também interpretado por uma das bailarinas.Um resumo do espetáculo.
Dinâmico, o espetáculo traz a agilidade da dança contemporânea aliada ao sapateado, ao rap, ao tecno, ao funk e ao samba. Máquinas, sonhos , brinquedos...Enfim, todo tipo de elemento que possa construir ou ajudar não só a encontrar a identidade dos bailarinos de Horizonte, mas também a da platéia que se vê palco, se identifica.

Monday, May 22, 2006

A CULTURA POPULAR E OS ESPAÇOS CULTURAIS DE FORTALEZA



por Angelo Tomasini

A partir de um recorte sobre os espaços culturais, mais especificamente os museus da cidade, pretendemos estudar a relação desses com a cultura popular.
Pensando em debater um pouco sobre o ano nacional dos museus e o aniversário de Fortaleza, nos propomos a fazer uma relação entre esses locias que guardam a cultura de um povo e a cultura que vem das ruas, dos chamados "mestres do mundo".
Fortaleza, uma cidade de fundamental importância para o Estado, sendo a capital, tem todo um aparato cultural. Não o esperado, mas considerável. São vários museus e das mais diversas temáticas, que vão desde o das secas, localizado no centro, até o do vaqueiro no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Ao mesmo tempo que abriga essa série de locais para admirar parte da história de um povo, não guarda nesses locais a história da cultura popular local.
Muito do que é popular se constrói na rua e assume caráter oral. Tradições passadas de geração em geração. Nem sempre preservadas com rigor. As festas realizadas nas ruas de Fortaleza, que citamos como exemplo o Carnaval, com suas Escolas de Samba, Blocos, Maracatus. Também as Quadrilhas Juninas, que só na capital são cerca de 150 grupos e que realizam seus espetáculos, seus festivais nas ruas (se bem que com o aumento da insegurança esses espetáculos têm cada vez mais ido para locais fechados).
Será que não é importante imortalizar esse aspecto do cotidiano das festas e folguedos da cidade? levando em conta que aos poucos essas tradições vão assumindo novos paradigmas e se transformando, ficando perdidas em vagas lembranças dos mais velhos.
Olhando os nossos museus encontramos apenas o do Marcatu, que foi reaberto a menos de 6 meses e um dos únicos que mostram a cultura popular de Fortaleza. Ainda amador e mal conservado. Fruto de um anseio de uma senhora (Lirisse Porto) que lutou sozinha e formou o "seu" museu. Com trajes do rico Maracatu cearense, junta umas poucas peças que se encontram expostas nos fundos do Teartro São José na Pria de Iracema.
Em contraste, citamos como exemplo no início do texto, o Museu do Vaqueiro não condiz muito com a realidade do fortalezense. Não se vêem representados naquela atmosfera maravilhosa criada e desenvolvida pelo Governo do Estado para embelezar o seu centro cultural.
Podemos até entender que devido ao status de capital, tenhamos que conviver com museus e coisas que não são específicas do nosso cotidiano,da nosssa história como local com vida e caracterísiticas próprias. Mas por que não dispor das duas coisas? As pessoas necessitam ir a esses locais e poder se ver inseridas nesse contexto. É muito mais interessante, até para construir a própria identidade.
Então, a apartir disso podemos constatar que duas formas de cultura, ligadas à arte e a história estão tão afastadas. Os museus deveriam andar de mãos dadas com os artitas todos, sejam eles populares ou dos mais diversificados tipos. Por que isso não acontece? Por que não há esse encontro? há realmente incentivo? Há interesse?
Essas são idagações que são feitas e observadas a fim de construir uma opinião sobre isso tudo, que é muito importante para a construção ou mesmo percepção de uma "cara" para um povo.

Friday, May 19, 2006

Diário do Pé na estrada em Pernambuco


Por Izabel Silveira

Com o pé na estrada a subir e descer as ladeiras de Olinda. Com o pé na dança ao som dos atabaques no quintal da Senzala. Com o pé na descida do morro os dançarinos de afoxé, na batida do timbal.
A mistura de sons e de culturas era o tempero que faltava para engrossar o caldo e dar o sabor que a viagem iniciada na sexta-feira, dia 12 de maio previa do que estava por vir.
No roteiro pra lá de diversificado estava previsto como primeira parada a feira de Caruaru - conhecida como a maior feira livre a céu aberto e também pela maior festa junina do Brasil - o que se deu em clima de cansaço, com um quê de admiração pelas imagens de barro, madeira, nos trabalhos de couro, enfim um manancial de exposição ao ar livre de produtos do mais puro artesanato nordestino.
Tanto é verdade, que para surpresa de alguns as peças expostas não eram de todo novidade. Mas com certeza alguns abridores de garrafa, e uns pequenos chaveiros chamaram a atenção dos menos desavisados. Curiosidades à parte para as esculturas de barro em miniatura, a valorizar o trabalho de Mestre Vitalino, artista filho de Caruaru, falecido há 43 anos, cuja obra se destaca tanto nas esculturas, quanto na música regional.
Visita e compras feitas os mochileiros sobem o Alto do Moura para conhecer a casa de Mestre Vitalino, realizar filmagens e invadir os pequenos ateliês a fazer perguntas e pechinchar os preços. O sábado vai fugindo entre os dedos em nossa segunda parada. O tempo é pouco e tanta coisa ainda para ver.
O cansaço realça os sinais e o cronograma da viagem tem seguimento na entrada no Hotel Recife Plaza, localizado no centro de Recife, à margem do rio Capibaribe. Eis que quem nos dá as boas vindas são as pontes a ligar um lado da cidade ao outro, a visão das favelas que parecem construídas por arquitetos, tamanha é a organização das ruas na visão de quem está olhando de baixo para o alto dos morros. Outro anfitrião a se fazer presente é o odor característico dos esgotos, que é constante companheiro pelas ruas de Recife.
O guia turístico tem sotaque pra lá de carregado e se desdobra em comentários e dados histórico-geográfico de Recife, onde o que prevaleceu em sua fala foi o Recife e Olinda no antes e depois da invasão dos holandeses. Para cada informação relevante lá estavam os holandeses a integrar a história. Desde os conflitos, as conquistas, passando inclusive pela colonização e pavimentação das cidades pernambucanas.
Nas visitas ao Forte das Cinco Pontas, ao Marco Zero, a praia de Boa Viagem, e nos demais pontos de contemplação de início de noite, lá estava novamente os holandeses a participar da trajetória histórica e a nos perseguir. Ainda bem que não invadiram o ônibus...
Final de noite e pela manhã o que nos aguarda é o desfecho de visitar Olinda.
A peregrinação que dava mostras de cansaço, tem seu ânimo redobrado ao passarmos pela casa de Alceu Valença, visitarmos o Mosteiro de São Bento, e apreciarmos a vista panorâmica. Que vista!
Parada para o almoço, mais compras e por fim Olinda se despede de seus visitantes ao som dos tambores numa passeata em louvor ao candomblé. Ué, estamos em Olinda ou em Salvador? É tudo a mesma coisa, é tudo Nordeste, é tudo Brasil. Mas atenção, como diriam nossos guias, "... antes da invasão dos holandeses, Olinda era diferente...", ainda bem que os holandeses invadiram Recife e Olinda, porque caso contrário toda aquela beleza de terra seria invadida mesmo era por nós cearenses.

Ao invés de bombar, babou!


Por Izabel Silveira

Agora pare e pegue a seguinte informação, o Siriguella está aniversariando. E para comemorar seus 13 anos de vida, o Chiclete com Banana fará a festa no Beach Park, dia 1º de Abril. Quem abrirá o show será o Mister Babão, seguido da banda de rock, Titãs.
A realidade da festa foi outra. Por problemas de saúde do vocalista do Chiclete, Bel Marques a apresentação foi adiada para o dia 6 de maio último, e a banda de rock foi substituída pela de reggae Cidade Negra. Duas situações bem distintas do que originalmente se propôs para comemorar o aniversário.
O show deveria ter sido realizado dia 1º de Abril, mais conhecido como o dia da mentira. E não é que o show foi a maior mentira.
Os equívocos tem início quando os "chicleteiros" adquiriram seus ingressos para um show que se realizaria num período X, com as bandas Y, e o resultado da apresentação foi uma realidade completamente diferente.
O segundo contratempo, aquele que poderíamos classificar como uma "falha do sistema", foi o atraso na abertura dos portões. O estipulado informado na aquisição dos ingressos seria para às 18 horas, e o que aconteceu de fato foi que os portões foram abertos somente às 19 hora 30 minutos. Mais uma vez apelar para a paciência do público.
Para encerrar com o terceiro e talvez o mais delicado dos imprevistos. O público está na praia e a semana inteira decorrida foi de chuva, e eis que os equipamentos não foram testados pelos seus respectivos músicos, é o que supõe-se, porque não justifica uma hora e meia de atraso, e o rapaz do som ainda está a dizer: Alô som, testando...
Mister Babão sobe ao palco e entra desentoado dando continuidade ao martírio das 8 horas da noite até às 10 e meia, onde apresenta hits de composição própria e de outros músicos baianos. Demorando em não sair do palco, Babão insiste em cantar a saideira, que se transformou em várias saideiras. Sem falar nas inúmeras passagens onde ameaça descer para "tomar uma" junto do público.
Eis que às 11 horas da noite, o Cidade Negra adentra o palco. Toni Garrido em sua coreografia característica de louvor ao reggae se esgoela num microfone que não reproduz som de nada. O público ainda ajuda cantando a canção que Garrido não consegue fazer-se ouvir. Nesse lúdico e apocalíptico momento alguns passam e comentam. "É por causa da chuva". Por causa da chuva, o escambal. Onde está o produtor desse evento? A empresa responsável pela instalação desses equipamentos que não teve o mínimo cuidado em se resguardar para evitar esse tipo de imprevisto?.
Banho de chuva. Sofrimento ouvindo o Babão, aos poucos o público se afasta, solidário, para não assistir a vergonha que o Cidade Negra estava passando a pular com um microfone que insistia em não se fazer ouvir.
Após uma pausa de quase uma hora, finalmente o Chiclete com Banana sobe ao palco. É o momento esperado. Afinal de contas é por causa dele que as pessoas esperaram um mês, cinco dias e seis horas de atraso. Bel Marques abre cantando a música Eu quero esse amor do último cd da banda, e o público ensandece. E fica o mistério, a histeria foi porque são todos loucos por Chiclete com Banana? Ou por que haveriam realmente perdido por completo a sanidade, após tanta espera e seqüência de erros? Não dá para manter a serenidade, nem tampouco dar uma de normal a essa altura do campeonato.
A músicas preferidas foram cantadas. O público foi chamado de chicleteiro, e pela primeira vez na noite alguém se desculpou por todos os atrasos, e deu o "show" que amenizou o massacre da espera.
"Não dá, não dá, não dá pra viver sem você. Sou 100% você", "Chiiicleteeeeeeeeeeeee, ôba, ôba...", foram esses e outros refrões que nos trouxeram para a realidade, aquilo sim era um show. Músicas antigas do início da carreira, e músicas que embalaram os carnavais e os fortais, tinha para todo gosto e coreografia.
E na subida do morro, cansados, porém felizes com o Chiclete, uma certeza. Ano que vem o Siriguella fará 14 anos, é uma pena, mas enquanto o folião lembrar do aniversário dos 13, não sei...
Talvez arranje coragem, e como todo mundo sabe, o tempo é o melhor remédio para curar feridas. A festa dos 15 anos será em 2008. Afinal de contas toda debutante que se preze merece uma festa de apresentação e dependendo da organização deste último evento ou não, Seriguella e chicleteiro que se preze são outros 500.
Os números do Chiclete com Banana não negam o sucesso da banda que, ao olhar para trás é vista na trajetória que teve início em 1982. Sua entrada no Fortal se deu em 1992, e a comemoração merecia que fosse a altura de seu principal integrante.
Os organizadores do evento pecaram em não prever a chuva, em não ofertar ao público o show que foi prometido, em atrasar uma festa numa demasiada sucessão de erros e enfim por não tratar os fãs com o devido respeito que o bloco Siriguella encabeçado pelo Chiclete com Banana sempre demostrou.

FINALMENTE VAMOS INAUGURAR O BLOG

Olá.
Vamos estrear o nosso blog com dois textos muito bons de Izabel Silveira, estudante de jornalismo, no 6º semestre noturno.
Espero que gostem. Eu achei muito bom.

Um grande abraço.

Ah e deixem mensagens também!!!

Angelo Tomasini

Wednesday, May 10, 2006

PRECISAMOS DE UM NOME

Esta é a primeira postagem do Blog dos alunos de Comunicação Social da FANOR.
Gostaria de fazer um apelo a esses alunos que se manifestem e escrevam matérias, artigos, crônicas, contos, bilhetes... Enfim qualquer tipo de comunicação será aceita.

Para começar lançaremos um concurso para eleger o nome do blog. Os interessados poderão postar na comunidade Jornalismo Fanor as suas sugestões. O enderço é esse: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1513773
Vamos lá , participem!!!