Monday, May 22, 2006

A CULTURA POPULAR E OS ESPAÇOS CULTURAIS DE FORTALEZA



por Angelo Tomasini

A partir de um recorte sobre os espaços culturais, mais especificamente os museus da cidade, pretendemos estudar a relação desses com a cultura popular.
Pensando em debater um pouco sobre o ano nacional dos museus e o aniversário de Fortaleza, nos propomos a fazer uma relação entre esses locias que guardam a cultura de um povo e a cultura que vem das ruas, dos chamados "mestres do mundo".
Fortaleza, uma cidade de fundamental importância para o Estado, sendo a capital, tem todo um aparato cultural. Não o esperado, mas considerável. São vários museus e das mais diversas temáticas, que vão desde o das secas, localizado no centro, até o do vaqueiro no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Ao mesmo tempo que abriga essa série de locais para admirar parte da história de um povo, não guarda nesses locais a história da cultura popular local.
Muito do que é popular se constrói na rua e assume caráter oral. Tradições passadas de geração em geração. Nem sempre preservadas com rigor. As festas realizadas nas ruas de Fortaleza, que citamos como exemplo o Carnaval, com suas Escolas de Samba, Blocos, Maracatus. Também as Quadrilhas Juninas, que só na capital são cerca de 150 grupos e que realizam seus espetáculos, seus festivais nas ruas (se bem que com o aumento da insegurança esses espetáculos têm cada vez mais ido para locais fechados).
Será que não é importante imortalizar esse aspecto do cotidiano das festas e folguedos da cidade? levando em conta que aos poucos essas tradições vão assumindo novos paradigmas e se transformando, ficando perdidas em vagas lembranças dos mais velhos.
Olhando os nossos museus encontramos apenas o do Marcatu, que foi reaberto a menos de 6 meses e um dos únicos que mostram a cultura popular de Fortaleza. Ainda amador e mal conservado. Fruto de um anseio de uma senhora (Lirisse Porto) que lutou sozinha e formou o "seu" museu. Com trajes do rico Maracatu cearense, junta umas poucas peças que se encontram expostas nos fundos do Teartro São José na Pria de Iracema.
Em contraste, citamos como exemplo no início do texto, o Museu do Vaqueiro não condiz muito com a realidade do fortalezense. Não se vêem representados naquela atmosfera maravilhosa criada e desenvolvida pelo Governo do Estado para embelezar o seu centro cultural.
Podemos até entender que devido ao status de capital, tenhamos que conviver com museus e coisas que não são específicas do nosso cotidiano,da nosssa história como local com vida e caracterísiticas próprias. Mas por que não dispor das duas coisas? As pessoas necessitam ir a esses locais e poder se ver inseridas nesse contexto. É muito mais interessante, até para construir a própria identidade.
Então, a apartir disso podemos constatar que duas formas de cultura, ligadas à arte e a história estão tão afastadas. Os museus deveriam andar de mãos dadas com os artitas todos, sejam eles populares ou dos mais diversificados tipos. Por que isso não acontece? Por que não há esse encontro? há realmente incentivo? Há interesse?
Essas são idagações que são feitas e observadas a fim de construir uma opinião sobre isso tudo, que é muito importante para a construção ou mesmo percepção de uma "cara" para um povo.

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